Por Que Cientistas Dizem Que a Estrela do Mar é Só uma Cabeça Andando?

Estrela do Mar

Você já olhou para uma estrela do mar e pensou: “onde fica a cabeça desse bicho?” Pois é, nem os cientistas sabiam direito até agora. Recentemente, novas pesquisas revelaram algo que virou de ponta-cabeça (ou melhor, sem cabeça nenhuma) o que sabíamos sobre esse curioso animal: a estrela do mar é praticamente só uma cabeça andando!

Parece piada, mas é ciência pura. Vamos entender essa história fascinante de um jeito leve, como quem mergulha num aquário cheio de curiosidades.

Um Bicho Sem Rosto, Mas Cheio de Mistérios

Quando falamos em cabeça, logo imaginamos olhos, boca e talvez até um cérebro dando ordens. Só que a estrela-do-mar não se encaixa nesse molde. Ela não tem rosto, tronco nem cauda definidos — apenas cinco braços idênticos (ou mais, dependendo da espécie) que formam seu corpo em forma de estrela.

Mas calma: isso não quer dizer que ela seja “sem sentido”. Na verdade, é o contrário! Ela é uma das criações mais engenhosas do oceano.

Cientistas descobriram, através de **pesquisas genéticas recentes publicadas na revista Nature em 2024, que praticamente todo o corpo da estrela do mar funciona como uma cabeça. Isso mesmo: os genes que, em outros animais, ficam concentrados na região da cabeça, estão espalhados por toda a estrutura dela.
É como se alguém tivesse pego a cabeça de um animal e esticado até formar uma estrela.

O Corpo Que Desafiou a Evolução

As estrelas do mar fazem parte do grupo dos equinodermos, a mesma turma dos ouriços do mar, dólares de areia e pepinos do mar. Esses seres têm uma estrutura corporal tão diferente que deixaria Darwin coçando a cabeça.

Enquanto a maioria dos animais tem um corpo “simétrico” um lado direito e outro esquerdo parecidos a estrela do mar quebrou todas as regras. Ela adotou a simetria radial, ou seja, o corpo dividido em cinco partes iguais.
É como uma pizza de cinco fatias idênticas, só que viva.

Mas o mais curioso vem agora: ao longo da evolução, a estrela-do-mar parece ter perdido o tronco e a cauda, ficando apenas com o que seria equivalente à cabeça.

Imagine um robô desmontado, onde só restou a parte que pensa e essa parte decidiu rastejar pelo fundo do mar.

Essa transformação evolutiva foi um “golpe de mestre” da natureza. Ao perder o tronco, ela ganhou flexibilidade, regeneração e um modo de vida totalmente próprio.

O Mistério Que Durou Séculos

Dawin Pensando no Assunto

Por muito tempo, cientistas ficaram quebrando a cabeça (ou a estrela) tentando entender como um animal com simetria bilateral ou seja, com lados iguais podia se transformar numa estrela de cinco pontas.
Essa transição era um dos maiores enigmas zoológicos desde os tempos de Charles Darwin.

Mas a equipe de Laurent Formery, da Universidade de Stanford e da Universidade da Califórnia, Berkeley, resolveu olhar o problema por outro ângulo. Em vez de focar na forma externa, eles mergulharam no código genético da estrela-do-mar.

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E foi aí que o quebra cabeça se encaixou:
as regiões genéticas que definem cabeça e tronco nos outros animais estavam ali… mas com uma diferença gigantesca. A parte do tronco simplesmente desapareceu.

Uma Viagem Pelo DNA da Estrela

Usando microtomografia computadorizada e técnicas de mapeamento genético, os cientistas criaram um modelo 3D mostrando onde os genes da estrela do mar “acendem” durante o desenvolvimento.
O resultado foi surpreendente.

  • Genes típicos da cabeça estavam ativos em todo o corpo.
  • Genes do tronco — que definem o meio do corpo em outros animais estavam ausentes.
  • Genes da cauda, quase invisíveis.

Ou seja: se o DNA fosse um mapa, a estrela-do-mar seria um planeta feito só de “cabeça”.

E isso explica por que ela se move e se alimenta de forma tão única. Cada braço funciona como um sensor, uma ferramenta e um cérebro ao mesmo tempo.
Ela sente o mundo inteiro através de cinco direções diferentes algo que nós, humanos, só podemos imaginar.

A Cabeça Que Anda Pelo Fundo do Mar

Agora, pense nisso: quando uma estrela do mar rasteja lentamente pelo fundo do oceano, ela não está “andando” como um animal comum. Ela está, literalmente, arrastando a própria cabeça.

Se isso parece estranho, é porque é mesmo.
Mas é também um exemplo espetacular de como a evolução pode brincar com as regras da biologia, criando soluções que ninguém esperava.

Essa forma de “andar com a cabeça” tem suas vantagens:

  • Permite que a estrela-do-mar reaja rapidamente a estímulos em qualquer direção.
  • Facilita a regeneração — se ela perder um braço, outro nasce no lugar.
  • E torna sua alimentação super eficiente: ela pode virar o estômago do avesso (sim, de verdade!) para digerir a comida externamente.

Quando a Ciência Vira Poesia

Há algo de poético nessa criatura sem tronco.
Ela é como um pensamento que se espalhou pelo corpo inteiro, uma mente que decidiu não se limitar a uma cabeça.

E pensar que, no fundo do mar, ela está lá há mais de 450 milhões de anos, sobrevivendo a eras geológicas, mudanças climáticas e até extinções em massa.
Talvez esse seja o segredo: não ter um corpo definido permite se adaptar melhor. Ser fluido, flexível… e resiliente.

Como disse o biólogo Christopher Lowe, também da Universidade de Stanford:

“É como se a estrela do mar fosse apenas uma cabeça rastejando pelo fundo do mar.”

Uma Parada Rápida: Curiosidades Que Valem o Mergulho

Antes de seguirmos viagem, vamos fazer uma pausa para algumas curiosidades fascinantes:

  • Existem cerca de 1.900 espécies conhecidas de estrela do mar espalhadas pelos oceanos.
  • Elas vivem desde as águas tropicais até os mares gelados do Ártico e da Antártida.
  • Podem regenerar braços e em algumas espécies, um braço perdido pode gerar uma nova estrela!
  • Algumas viram o estômago do avesso para digerir moluscos e corais.

Agora que você já descansou nessa hospedaria de curiosidades, vamos continuar a jornada.

O Que Essa Descoberta Significa Para a Ciência?

Pode parecer apenas uma esquisitice marinha, mas essa pesquisa muda a forma como entendemos a evolução dos animais.
Ao descobrir que as estrelas do mar são, na prática, cabeças ambulantes, os cientistas perceberam que o corpo dos equinodermos evoluiu de uma forma completamente diferente do que se pensava.

Isso ajuda a responder perguntas antigas sobre a origem dos vertebrados inclusive nós, humanos. Afinal, compartilhamos um ancestral distante com esses seres.
É como descobrir que um primo seu mora no fundo do mar e tem cinco braços.

Além disso, entender a genética desses animais pode inspirar estudos sobre regeneração de tecidos, sistemas nervosos distribuídos e até biotecnologia marinha.

O Encanto de um Corpo Que Pensa

Quando olhamos para uma estrela do mar agora, não vemos mais só um enfeite de aquário ou uma lembrança de praia.
Vemos um ser que desafiou a lógica do corpo, que transformou a cabeça em corpo e o corpo em ideia.

Ela é o símbolo perfeito da natureza dizendo:

“Não preciso seguir as suas regras para funcionar.”

E talvez seja por isso que as estrelas-do-mar continuem a nos fascinar. Elas são como poemas vivos no fundo do oceano cada uma com cinco versos e nenhuma pontuação.

Uma Cabeça Que Pensa Fora do Corpo

A descoberta de que a estrela-do-mar é “só uma cabeça andando” é mais do que uma curiosidade.
É uma lição sobre diversidade, adaptação e criatividade biológica.
Mostra que, às vezes, perder partes do corpo pode significar ganhar novas formas de viver.

Da próxima vez que você ver uma estrela-do-mar numa praia ou num documentário, lembre-se:
ela é uma cabeça completa explorando o mundo, uma viajante silenciosa do fundo do oceano.
E quem sabe, talvez ela pense algo sobre nós também.

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