
A natureza brasileira parece até um baú sem fundo, e cada vez que abrimos um pouco, algo novo salta aos olhos. Entre tantos animais marcantes, o jacaré sempre rouba a cena.
Ele vive em rios, lagos e áreas cheias de água, e ocupa esses lugares com uma calma que mais parece confiança de quem manda no pedaço. Além disso, cada tipo tem seu tamanho, seu jeito e seu canto preferido, o que ajuda a mostrar como esses bichos fazem parte do equilíbrio dos nossos biomas.
Assim, ao olhar para as espécies daqui, fica fácil notar como elas se espalham pelo país, quem as registrou e por que ainda são peças fortes na natureza.
Onde o nome “jacaré” nasceu
O nome jacaré vem do tupi îakaré, que quer dizer algo como “aquele que olha de lado”. E, por isso, combina tão bem com o bicho, que fica parado na água com os olhos acima da superfície, como se fosse um soldado vigiando o ambiente.
Como os povos indígenas caçavam jacarés
Os povos indígenas já conviviam com esses animais muito antes dos europeus chegarem. Conforme o relato de várias etnias, eles conheciam o comportamento dos jacarés tão bem quanto conheciam o fluxo dos rios. Além disso, criaram técnicas afiadas para pegar esses animais quando precisavam de carne, couro ou dentes.
Entre os métodos, estavam:
- Varas afiadas feitas de madeira dura.
- Laços colocados em rotas usadas pelos animais.
- Emboscadas silenciosas em noites escuras ou com pouca luz.
Era um processo lento, quase como um jogo de paciência. Ainda assim, funcionava bem, pois o caçador usava o silêncio como arma e o tempo como aliado.
Jacaré-açu: o gigante da Amazônia

O jacaré-açu (Melanosuchus niger) foi descrito em 1825 pelo naturalista Johann Baptist von Spix. É o maior da família na América e pode chegar a seis metros em casos bem raros. Porém, a maioria das fêmeas fica perto de 2,8 metros.
Quando jovens, têm manchas claras, mas depois ficam quase pretos, como se ganhassem uma capa escura. Além disso, o que comem mostra a força deles:
- Peixes grandes
- Tartarugas
- Capivaras
- Outros jacarés menores
Essa espécie reina nos rios da Amazônia. Ainda assim, sofre com caça ilegal e perda de habitat.
Jacaretinga: o famoso “jacaré-de-óculos”
O jacaretinga (Caiman crocodilus) vive em boa parte da Amazônia e também no centro do país. O apelido “jacaré-de-óculos” vem de uma marca óssea no focinho que parece uma armação de óculos.
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Durante o acasalamento, os machos fazem sons graves e mexem a cauda para chamar fêmeas um “show” natural que parece até uma apresentação de dança. Além disso, adultos chegam perto de 2,8 metros e têm cor amarelada com manchas escuras.
Jacaré-do-Pantanal: símbolo das planícies alagadas
O jacaré-do-Pantanal (Caiman yacare) pode chegar a três metros. O focinho é mais longo, e a alimentação inclui peixes e pequenos animais.
Como resultado das cheias, eles se espalham por todo o Pantanal. Porém, na seca, acabam se juntando em rios mais fundos. Além do mais, ainda são caçados por carne e couro, o que traz risco.
Jacaré-de-papo-amarelo: o mais espalhado do país

O jacaré-de-papo-amarelo (Caiman latirostris) foi descrito em 1802 por François Marie Daudin. Ele aparece no Cerrado, Caatinga, Mata Atlântica e Pampa.
Durante o acasalamento, o papo ganha um tom mais vivo, como se o macho colocasse um “lenço colorido” para chamar atenção. Além disso, os adultos chegam perto de três metros.
Jacaré-anão: pequeno, mas afiado
O jacaré-anão (Paleosuchus palpebrosus), descrito em 1807 por Georges Cuvier, mede cerca de 1,5 metro e pesa por volta de seis quilos. Mesmo assim, é um caçador esperto.
Come:
- Peixes pequenos
- Insetos
- Crustáceos
Seus dentes curvos parecem feitos sob medida para segurar presas. É comum em várias regiões do país.
Jacaré-coroa: o morador das corredeiras
O jacaré-coroa (Paleosuchus trigonatus) foi descrito em 1801 por Johann Gottlob Schneider. A placa óssea no topo da cabeça parece uma pequena coroa, o que explica bem o nome.
Ele mede cerca de 1,5 metro e vive em águas mais rápidas. Fora isso, costuma comer peixes e pequenos mamíferos. Ao mesmo tempo, não se junta em grandes grupos como outras espécies.
Adaptações que fizeram esses animais dominar nossos rios
Jacarés têm uma “armadura natural” formada por pele grossa, escamas e placas ósseas. Além disso, controlam a temperatura com ajuda do sol, já que são animais de sangue frio.
Outra coisa curiosa é o coração com quatro cavidades, que deixa a circulação mais eficiente. Como resultado, eles conseguem ficar largos minutos debaixo d’água, respirando só pelas narinas no alto do focinho.
Respiração e circulação
A respiração é pulmonar. Porém, quando mergulham, seguram o ar por muito tempo. As narinas funcionam como pequenas chaminés aquáticas.
A excreção de ácido úrico ajuda a economizar água, o que é ótimo em áreas com variações de nível.
A temperatura do ninho define o sexo dos filhotes. Em outras palavras: calor demais gera mais machos, calor de menos gera mais fêmeas.
| Espécie | Período | Temperatura | Nº de Ovos | Época |
|---|---|---|---|---|
| Jacaré-açu | 80–90 dias | 31–32°C | 40–50 | Setembro a Janeiro |
| Jacaré-de-papo-amarelo | 70–90 dias | 30–33°C | 20–40 | Novembro a Março |
| Jacaré-do-Pantanal | 65–85 dias | 31–33°C | 20–35 | Outubro a Dezembro |
| Jacaretinga | 75–85 dias | 30–32°C | 15–40 | O ano todo |
| Jacaré-anão | 80–90 dias | 28–31°C | 10–15 | Julho a Outubro |
| Jacaré-coroa | 85–95 dias | 29–31°C | 8–15 | Agosto a Novembro |
Reprodução e comportamento
As fêmeas fazem ninhos com folhas e galhos. Conforme o material apodrece, o calor ajuda na incubação. Além disso, cada bioma tem seu período de reprodução.
Jacarés vivem cerca de 50 anos. Ainda assim, são mais ativos à noite. A visão deles no escuro é afiada, graças a uma membrana que protege os olhos na água.
Diferença entre jacarés e crocodilos
A diferença entre jacarés e crocodilos fica bem clara quando você olha para o focinho deles. Jacarés têm focinho largo, enquanto crocodilos têm focinho mais fino e comprido. Além disso, quando o jacaré fecha a boca, os dentes não ficam para fora, mas no crocodilo isso costuma aparecer.
Outra coisa é que os jacarés têm uma membrana nos dedos das patas de trás, o que ajuda muito quando eles nadam. Por fim, as famílias também são diferentes, já que os jacarés fazem parte da família Alligatoridae, enquanto os crocodilos pertencem à família Crocodylidae.
Por que os jacarés são tão importantes?
Jacarés controlam populações de peixes e outros animais. Como resultado, mantêm o equilíbrio dos rios. Atualmente, muitas espécies ainda sofrem com perda de habitat e caça ilegal.
Ao mesmo tempo, programas de criação em cativeiro ajudam a diminuir a pressão sobre a vida selvagem




