
O Caramujo Africano parece um bichinho inofensivo à primeira vista, mas engana quem olha! Por trás daquela concha bonita e aparência lenta, existe um invasor de respeito uma espécie que conquistou o Brasil sem pedir licença, causando danos ao meio ambiente, à agricultura e até à saúde das pessoas.
Dessa forma, vamos entender como esse molusco veio parar aqui, por que ele se espalhou tanto e o que fazer se você encontrar um desses “gigantes” passeando pelo seu quintal.
O Invasor Que Chegou Como Promessa de Negócio
Lá pelos anos 1980, o Caramujo Africano nome científico Achatina fulica ou Lissachatina fulica desembarcou no Brasil com uma promessa tentadora: ser uma alternativa barata ao escargot (aquele prato chique francês feito com outro tipo de caracol).
A ideia era simples: criar, vender e lucrar. Entretanto, o plano deu errado.
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A carne do caramujo era dura, o sabor não agradava, e os criadores, sem saber o que fazer, simplesmente soltaram os animais na natureza. O resultado? Uma verdadeira invasão! Consequentemente, o que era para ser um negócio gourmet virou uma dor de cabeça ambiental.
O Que Torna o Caramujo Africano Tão Perigoso?

Esse molusco tem superpoderes de sobrevivência. É hermafrodita, ou seja, cada indivíduo tem órgãos masculinos e femininos e precisa apenas de outro parceiro para reproduzir. E não é pouco: a cada ciclo, eles podem colocar 200 ovos, várias vezes por ano!
Imagine centenas de filhotes surgindo em poucos meses é quase uma produção em massa de mini caramujos.
Além disso, o Caramujo Africano vive de 5 a 10 anos, gosta de locais úmidos e se adapta facilmente a climas tropicais, como o nosso. Portanto, essa combinação fez com que ele se espalhasse por quase todos os estados brasileiros.
Quando o Lento Vira uma Praga
A dona Ana Paula da Silva, moradora do Sol Nascente (DF), sabe bem o que isso significa. Ela contou que plantou uma hortinha, mas teve que desistir:
“Plantei coentro e cebolinha, mas eles comeram tudo! Recolhi mais de 50 em um único dia, e piora na época da chuva.”
Esse é o retrato fiel do problema: o caramujo devora folhas, frutas e hortaliças, destruindo plantações e jardins inteiros. Além de causar prejuízos econômicos, ele rouba o espaço das espécies nativas, competindo por alimento e território.
Em outras palavras, o caramujo africano chega devagarinho, mas toma conta de tudo como um hóspede que não quer mais ir embora.
As Doenças Que Ele Pode Transmitir

O perigo não é só o estrago nas plantas. Na verdade, quando infectado por vermes, o Caramujo Africano pode carregar parasitas perigosos que causam doenças em humanos e animais. Entre eles:
- Meningite eosinofílica — transmitida pelo verme Angiostrongylus cantonensis (também conhecido como “verme pulmonar de rato”);
- Enterite eosinofílica — que causa fortes dores abdominais;
- E até parasitas como Strongyloides, Schistosoma mansoni e Fasciola gigantica já foram detectados em fezes desses moluscos.
Mas calma! O risco aparece quando alguém ingere frutas ou verduras contaminadas pelo muco do caramujo. Por isso, nada de descuidar da higienização!
Dica de Ouro
Antes de comer verduras ou frutas, mergulhe-as por 30 minutos em uma mistura de 1 colher de sopa de água sanitária para 1 litro de água. Depois, enxágue bem. Essa simples atitude pode salvar sua saúde e evitar uma visita indesejada ao hospital.
Como Identificar um Caramujo Africano
Nem todo caracol grandão é o vilão da história. No Brasil, temos espécies nativas que são parecidas, mas não oferecem perigo.
| Característica | Caramujo Africano (Achatina fulica) | Caracol Nativo (Megalobulimus) |
|---|---|---|
| Cor da concha | Marrom escuro com faixas claras | Marrom uniforme |
| Tamanho | Até 15 cm | Até 10 cm |
| Abertura da concha | Cortante e afiada | Espessa e lisa |
| Ponta da concha | Alongada e pontuda | Arredondada |
Dica: Se encontrar um caramujo com concha afiada e pontuda, é quase certo que é um africano invasor.
O Que Fazer Se Encontrar um Desses no Quintal?
Primeiro: nada de tocar com as mãos nuas! Use luvas de limpeza ou um saco plástico duplo para pegá-los. Em seguida, siga o procedimento recomendado por especialistas da Vigilância Ambiental:
- Coloque os caramujos e os ovos em um balde metálico;
- Esmague as conchas com um martelo ou pedaço de madeira;
- Misture 1 litro de cloro com 3 litros de água, cubra o balde e deixe de molho por 24 horas;
- Após esse tempo, jogue tudo em um saco de lixo resistente;
- Outra opção é enterrar o material em uma vala de 80 cm de profundidade, com cal virgem para evitar contaminações.
E nunca, em hipótese alguma, use veneno ou pesticida. Esses produtos contaminam o solo e a água e ainda podem não funcionar contra o caramujo.
A História Se Repete no Mundo Todo
O Brasil não é o único palco dessa invasão. De fato, o Caramujo Africano já causou estragos em países como China, Índia, Estados Unidos, Tailândia e Butão.
Na Flórida (EUA), por exemplo, as autoridades gastaram milhões de dólares em campanhas de erradicação. Em 2021, o governo chegou a declarar vitória após seis anos de combate, mas, em 2022, ele reapareceu. É quase como aquele vilão de filme que sempre volta na sequência.
Por isso mesmo, esse molusco se adapta tão bem que é listado entre as 100 espécies invasoras mais daninhas do planeta, segundo a União Internacional para Conservação da Natureza (IUCN).
Por Que Ele É Uma Ameaça Ambiental?
Além de destruir plantações e competir com espécies locais, o Caramujo Africano tem outro efeito colateral: suas conchas vazias acumulam água e se tornam criadouros do mosquito Aedes aegypti, o mesmo que transmite dengue, zika e chikungunya.
Ou seja, mesmo depois de morto, ele ainda causa problema!
E mais: como se alimenta de vegetação nativa, acaba desequilibrando ecossistemas. Assim, muitas áreas verdes já registraram a diminuição de plantas típicas por causa dele.
Curiosidades Que Pouca Gente Sabe
- O Caramujo Africano pode viver até 10 anos em cativeiro;
- Ele é noctívago, ou seja, prefere sair à noite talvez por isso você nunca o veja durante o dia;
- Foi declarado espécie invasora oficial no Brasil em 2005;
- Alguns praticantes de Candomblé o utilizam em rituais como substituto do caracol africano original (Archachatina marginata);
- Em países da Ásia, ele é até considerado uma iguaria culinária e vendido em mercados populares.
O Papel da População no Controle
O combate ao Caramujo Africano não depende apenas das autoridades ambientais. Na realidade, cada pessoa pode e deve colaborar:
- Mantenha o quintal limpo, sem entulhos nem locais úmidos;
- Recolha e descarte corretamente os caramujos encontrados;
- Ensine as crianças a não tocarem nesses animais;
- E, se notar uma infestação, avise a Vigilância Ambiental ou o Disque-Saúde (160).
Como diz o ditado: “prevenir é melhor do que remediar” e no caso desse invasor, é também mais fácil.
Impactos do Caramujo Africano no Brasil
| Tipo de Impacto | Descrição | Consequência |
|---|---|---|
| Ecológico | Compete com espécies nativas | Perda da biodiversidade |
| Agrícola | Alimenta-se de hortaliças e plantas | Prejuízo a pequenos produtores |
| Saúde Pública | Pode transmitir vermes e doenças | Risco de meningite e infecção |
| Urbano | Conchas acumulam água da chuva | Aumento de mosquitos vetores |
| Econômico | Gasto público com controle e erradicação | Milhões em campanhas e coletas |
Pequeno, Mas Problemático
O Caramujo Africano é um daqueles exemplos de como uma decisão humana mal planejada pode virar uma bola de neve ambiental. Trouxeram-no para ser comida, mas ele acabou devorando o equilíbrio natural.
Hoje, é um lembrete de que até o menor dos animais pode causar um grande estrago especialmente quando está fora de seu habitat natural.
Então, da próxima vez que você encontrar um caramujo gigante passeando pelo jardim, lembre-se: ele pode parecer lento, mas o problema que causa anda bem rápido.


