
Quando se fala em répteis marcantes do Brasil, a sucuri certamente está entre os primeiros que vêm à mente. Além disso, essa serpente enorme, que habita as águas tropicais sul-americanas, desperta curiosidade, fascínio e, é claro, um certo temor. Mas afinal, o que realmente sabemos sobre esses animais únicos?
Portanto, prepare-se para descobrir verdades que vão desafiar tudo o que você pensava sobre essas criaturas da fauna brasileira.
1. Anaconda e sucuri são exatamente a mesma coisa
Se você já ouviu falar em “anaconda” – talvez através de filmes de Hollywood ou programas da National Geographic – saiba que este é apenas outro nome para a nossa conhecida sucuri. Ou seja, não se trata de uma serpente diferente ou de uma prima distante!
Na verdade, o termo “anaconda” é muito usado em inglês e em outras línguas pelo mundo. Por outro lado, “sucuri” é o nome mais comum no Brasil, que vem de línguas indígenas tupis. Assim, é como chamar abacaxi de “pineapple” – mesma fruta, só que em idiomas diferentes.
Vale lembrar que a sucuri pertence ao grupo científico Eunectes e faz parte da família Boidae – a mesma das jiboias. Além disso, existem ainda outros nomes regionais para essas cobras. Isso mostra, portanto, a rica variedade cultural das pessoas que convivem com elas há séculos.
2. Existem 5 Espécies Diferentes (e você talvez só conheça uma)
Ao contrário do que muitos pensam, “sucuri” não é o nome de uma única espécie. Na verdade, é um termo que abrange cinco espécies distintas. Então, vamos conhecê-las:
A gigante verde que domina a Amazônia
Eunectes murinus – A sucuri-verde do sul é a celebridade do grupo. Ou seja, esta é a espécie mais famosa, mais estudada e a que aparece em programas de TV. Além disso, é também a maior em tamanho e a mais vista no Brasil, em especial na região da Amazônia.
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Eunectes akayima – A sucuri-verde do norte foi achada só há pouco tempo na Amazônia do Equador. Isso prova, portanto, que ainda há muito a aprender sobre essas criaturas incríveis.
As primas menores e também fascinantes
- Eunectes notaeus – A sucuri-amarela é menor que sua prima verde. Além disso, mostra uma cor amarelada típica com manchas escuras.
- Eunectes beniensis – A sucuri-de-beni é a única espécie que não foi vista em terras brasileiras. Por isso, é achada sobretudo na Bolívia.
- Eunectes deschauenseei – A sucuri-malhada é a menor do grupo. Além disso, possui padrões de cor únicos.
Das cinco espécies, três podem ser achadas no Brasil. Assim, nosso país se torna um importante abrigo para esses répteis magníficos.
3. Ela é a Campeã Mundial dos Pesos Pesados das Cobras

Quando o assunto é tamanho, prepare-se para números que impressionam. De fato, a sucuri-verde detém o título de maior serpente do mundo em massa corporal. Ou seja, pode pesar mais de 130 quilos!
Para você ter uma ideia: imagine uma serpente com o peso de duas pessoas adultas. Portanto, é exatamente isso que estamos falando!
Quanto ao comprimento, ela fica em segundo lugar mundial. Assim, perde apenas para a píton da Ásia. Além disso, uma sucuri-verde adulta pode chegar até 7 metros de comprimento – o mesmo que dois carros pequenos um atrás do outro. No entanto, exemplares com mais de 5 metros são bem raros.
Por que as fêmeas são tão maiores?
As fêmeas são bem maiores que os machos. Isso é chamado de dimorfismo sexual. Essa diferença acontece porque fêmeas maiores podem carregar mais filhotes. Portanto, isso garante maior sucesso na hora de dar a luz.
4. O mito do veneno: a verdade sobre como ela mata
Aqui está uma revelação que surpreende muita gente: as sucuris não são venenosas. Ou seja, zero veneno. Nada mesmo. Além disso, elas não possuem glândulas de veneno nem presas como as cobras peçonhentas.
“Mas então como ela mata?”, você deve estar se perguntando.
O poder letal da pressão
A resposta está na pressão que ela faz – e é um processo tão eficaz quanto assustador:
- A serpente espera com calma, quase sempre meio dentro da água
- Quando uma presa se aproxima, ela ataca com velocidade surpreendente
- Enrola seu corpo grande ao redor da vítima em segundos
- Aperta aos poucos, impedindo a respiração do animal
- Aguarda até que a presa morra sem ar
- Engole a presa inteira, começando pela cabeça
Embora a mordida de uma sucuri seja dolorida por causa dos seus dentes curvos, ela não injeta toxinas. Na verdade, o verdadeiro perigo está em sua força ao apertar – capaz de quebrar ossos e esmagar órgãos internos.
5. O cardápio surpreendente de uma caçadora das águas
As sucuris são carnívoras e caçadoras oportunistas. Isso significa, portanto, que comem quase qualquer animal que consigam dominar e engolir. Além disso, a lista é realmente impressionante:
- Peixes de vários tamanhos, desde piranhas até peixes maiores
- Aves aquáticas como garças e patos, além de aves de terra desavisadas
- Répteis incluindo jacarés jovens e tartarugas
- Anfíbios como sapos e rãs
- Mamíferos como capivaras, pacas, veados, porcos-do-mato e até onças jovens
O segredo da digestão lenta
Há relatos de sucuris atacando animais muito grandes. No entanto, tais eventos são raros. Após uma refeição farta, uma sucuri pode ficar semanas ou até meses sem se alimentar. Durante esse tempo, portanto, ela digere lentamente sua presa.
Nesse período, ela fica quase parada, frágil e focada só na digestão.
6. Mestres da camuflagem aquática

As sucuris são animais mais solitários e de hábitos discretos. Ao contrário do que muitos pensam, elas não ficam penduradas em árvores esperando vítimas – isso é coisa de filme mesmo!
Adaptações perfeitas para a vida na água
Essas serpentes são ótimas nadadoras. Além disso, podem ficar debaixo d’água por longos períodos. Suas narinas e olhos ficam no topo da cabeça – uma adaptação genial. Assim, elas podem respirar e ver o ambiente enquanto ficam quase totalmente submersas.
Por outro lado, sua cor verde-oliva com manchas escuras funciona como camuflagem perfeita nas águas turvas e lodosas dos rios da Amazônia. Portanto, é quase impossível vê-las até que seja tarde demais… para a presa, é claro!
Onde você pode encontrá-las
As sucuris habitam áreas alagadas por toda a América do Sul tropical:
- Toda a bacia do rio Amazonas no Brasil
- Planícies do Orinoco na Venezuela
- Pântanos e áreas alagadas da Colômbia
- Regiões úmidas do Equador, Peru e Bolívia
- Áreas de pântano do Paraguai e norte da Argentina
- Guiana, Suriname e Trinidad e Tobago
De forma curiosa, grupos desta espécie também existem no estado da Flórida, nos Estados Unidos. Lá, portanto, se adaptaram bem ao clima subtropical.
7. A reprodução marcante: bola de serpentes e dezenas de filhotes
A reprodução das sucuris é um show natural que parece saído de um filme de ficção científica.
A misteriosa bola de acasalamento
Durante a época de reprodução, vários machos (às vezes uma dúzia ou mais) podem se enrolar ao redor de uma única fêmea. Assim, formam o que os cientistas chamam de “bola de acasalamento”. Essa competição intensa pode durar semanas. Nesse tempo, portanto, os machos lutam pelo direito de acasalar.
Filhotes que já nascem independentes
As sucuris são ovovivíparas. Ou seja, os filhotes crescem dentro de ovos que ficam no corpo da mãe até eclodirem. Além disso, uma ninhada pode ter de 20 a 40 filhotes, que já nascem com cerca de 60 centímetros de comprimento.
E aqui está outro fato que surpreende: os filhotes são logo independentes. Não há cuidado dos pais. Assim que nascem, portanto, eles já sabem nadar, caçar e se defender sozinhos.




